Construções ambientalmente corretas nas unidades armazenadoras

É necessário usar profundidade de poços para elevadores de grãos?

Trago aqui para discussão um tema que julgo extremamente importante ao setor de Pós-Colheita e que não observo o setor projetista se preocupar com tal situação.
Os elevadores de grãos em unidades receptoras e armazenadoras são importantes equipamentos no setor de pós-colheita de grãos, pois são os equipamentos que fazem o transporte vertical desses grãos. Praticamente, numa unidade todo o grão passa por algum elevador, pois é justamente o equipamento que transporta o grão de um equipamento a outro, seja para levá-los aos secadores, ou quando depois de secos, levá-los aos silos armazenadores.
Explico o porquê disso, pois em todas as unidades por mim atendidas observo que há problemas de infiltrações de água, dificuldades de manutenção dos equipamentos e a partir da vigência da NR 33-Espaços Confinados, temos mais um grave problema a ser resolvido: – justamente o atendimento dessa Norma regulamentadora do MTE-Ministério do Trabalho e do Emprego. O atendimento da NR 33 poderia ser mais simples, se não tivéssemos poços de elevadores a cuidar e revisar.
Seria muito mais simples se tais unidades armazenadoras tivessem somente os elevadores de grãos ao nível do solo. Basta que para isso projetássemos essas unidades, corrigindo o problema de escavação e impermeabilizações, com estruturas adequadas e instaladas ao nível do solo. Obviamente que precisaríamos atentar ao fato de que essas obras deveriam ter construções projetadas para proporcionar o devido gradiente de inclinação para carga/descarga dos grãos.
Assim teríamos movimentação de solo acima do nível do mesmo. Muito mais fácil de construir acima do nível do solo do que escavar um solo e depois ter de impermeabilizá-lo para evitar infiltrações indesejadas e que certamente aparecerão com o tempo de uso da unidade.
Vantagens na construção de transportadores verticais de grãos acima do nível do solo:
• Diminuição do custo da obra;
• Diminuição dos custos com impermeabilizações;
• Fácil manutenção de equipamentos;
• Eliminação de espaços confinados;
• Mais segurança operacional.
Existem atualmente soluções diversas a esse problema. Desde moegas aéreas, até moegas móveis para recebimento dos grãos numa unidade, o que por si só justificaria a adoção dessa modalidade para evitarmos escavações, buracos muito grandes e profundos, que resolvem parcialmente o problema de nível para carga desses elevadores de grãos.
Já vi unidades onde a necessidade de profundidade no poço do elevador era desnecessária. Mesmo assim foi construído o elevador com poço, gerando um local insalubre, úmido e de difícil acesso.
Chego a concluir que nunca ninguém observou esse item, como um item passível de correção, razão porque raramente se vê obras em que tais equipamentos sejam utilizados ao nível do solo, evitando assim os problemas acima elencados.
Vivemos num país em transformação e que necessita economizar para poder desenvolver-se. Está aí uma forma de economia na construção dessas unidades armazenadoras, tão importante na economia brasileira alicerçada no agronegócio.
Acredito também que a desinformação do produtor rural, aliado ao fato de possuirmos poucos profissionais ligados ao setor de pós-colheita leva a tais incongruências tanto nos projetos, quanto nas execuções dos mesmos. Até então, somente os engenheiros civis eram os responsáveis técnicos por tais obras. Hoje os profissionais da Agronomia e da Engenharia Agrícola, profissões mais ligadas ao setor e com profissionais conhecedores das necessidades da atividade, além de identificados com o meio, poderão corrigir tais distorções que deverão ser consideradas em novos projetos, já que dificilmente serão corrigidas nas unidades já instaladas.
Deixo aqui uma colaboração aos colegas projetistas para que revejam seus conceitos de construção, visando atender às Normas Regulamentadoras do MTE e conforto operacional aos colaboradores dessas unidades.
Se pensarmos em poços de elevadores, desgaste de equipamentos em meio aquoso, ambiente insalubre e dificuldade de construção, custos aumentados pela necessidade de mais corpos de elevadores em função da altura necessária, por si só seriam motivos suficientes para tentarmos mudar esse paradigma de que há a necessidade de cavar poços de elevadores para construir unidades armazenadoras.
Repensar para mudar e mudar para economizar são ações modernas e necessárias ao Brasil em desenvolvimento.

César Augusto Pires Moutinho
Engenheiro Agrônomo e de Segurança do Trabalho
Consultor em Pós-colheita