Em crise, é hora de investir?

Essa crise no arroz é diferente das outras pelas quais passamos. Não é uma marolinha, como disse nosso Ex-Presidente Luiz Inácio. E veio com força de um Tsunami, avassaladora.

Mas como sair dela? Como enfrentá-la?

Assistimos a tempos atrás, muitos produtores rurais investindo verdadeiras fortunas em “atualização do maquinário”. Todos foram induzidos a atualizarem seus equipamentos, com a visão de redução de custos, de economia. Não deixa de estar certo, mas e o custo de aquisição? Quem banca?

Estamos novamente aproveitando a crise por que passa o setor para levá-los,  senhores arrozeiros a uma reflexão profunda.  Senão vejamos, de que adianta investir, como muitos investiram em colheitadeiras novas, algo em torno de R$ 500 mil, se não temos produção suficente para colher? Agora o produto colhido nessas máquinas, nada vale! Como quitar os débitos de investimento?

Ou um trator novo, que vale R$ 150 mil? Será que o velho, o antigo não dava mais conta do recado?

A termos de investir em alguma coisa, que tal pensarmos daqui pra diante em irrigação visando uma diversificação de produção?

Um pivô central custa em média R$ 5-6 mil/hectare irrigado. Caro?

Caro é investir numa colheitadeira R$ 500 mil e só utilizá-la 90 dias/ano!

Isso equivale a uma área irrigada de 100 hectares com pivô central! E embaixo desse pivô, pode-se cultivar qualquer coisa, que com certeza será hoje mais rentável que o nosso arroz que estamos acostumados a cultivar.

Cada vez mais me convenço de que o nossos governos, sejam eles estadual ou federal não irão resolver os “nossos problemas”. Nós é que temos de resolvê-los com nossa atitude e inteligência, que só nós humanos possuímos.

Conclamo à classe produtora a utilizar seus técnicos nessa ação de reconversão da atividade rural, pois estamos extremamente fragilizados. Esse pessoal já é pago para nos dar soluções de produção e produtividade. Nada mais justo que nos apontem caminhos para facilitar a retomada de decisões da classe. Colegas, mostrem como é importante a visão técnica nas decisões, ainda mais que envolvem muito dinheiro. É a hora da nossa valorização profissional. E nada mais justo que estarmos junto com os nossos clientes, pois sem clientes não somos nada, além de técnicos formados.

Mão à obra pessoal, é hora de arregaçar as mangas e trabalhar mais, economizar mais e não se cansar em resolver problemas. Afinal, estamos vivos!